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Entrevista com a Julliana Monteiro!





Quem é a Jull?

Jull, jujuba... Julliana M Passos, 18 anos, uma niteroiense super simpática, que como eu, começou escrevendo fanfiction e agora surpreende a todos lançando seu conto "A Cama" no livro "Elas Escrevem - Vol. II" lançado pela Andross na comemoração de seus sete anos em agosto último, na cidade de São Paulo. 


 


Eu queria muito ter feito essa entrevista antes, mas eu e a Jull sempre estamos correndo rsrs... Sooooo, eu espero que vocês gostemdo nosso ping pong!









R.N: Olá Ju, para aqueles com menos intimidade, Julliana, eu vou começar pelo básico, porque é o que sempre nos vem à cabeça diante de um texto bonito como o seu: esse não é seu primeiro rabisco... De que forma você se comprometeu assim com as letras e o “fantástico” mundo da imaginação humana? O que te trouxe até aqui... até “ A Cama? Faz uma miniretrospectiva da Ju até aqui...


J.M: Desde pequena eu sempre gostei de criar histórias, até encontrei recentemente um pequeno quadrinho com lição de moral que fiz quando devia ter uns 7 anos de idade. Pelo traço, bem, eu jamais poderia ser ilustradora (risos). Minha mãe sempre me incentivou a escrita e mostrava minhas redações escolares para todo o mundo, era vergonhoso! Mas eu nunca tinha pensado em escrever realmente. Carreira de Escritora, EU? Não, certamente não. Até que passei por um momento muito ruim na minha vida e tive uma idéia para uma história. Eu tentava parar de pensar naquilo, mas não conseguia. Bastava fechar os olhos e ela me assombrava. Eu precisava escrever aquilo, tirar aquelas palavras de mim que atormentavam a minha mente, como um viciado com a droga. Eu tentei resistir, mas foi mais forte que eu e então eu comecei a escrever e escrever a história e nunca bastava. Cada palavra trazia em minha mente todo um destino, toda uma vida. Foi então que graças a isso eu comecei a melhorar da depressão que passei e a escrita acabou se tornando uma parte do que sou. Esse conto saiu basicamente do nada. Eu estava com bastante sono e estava defendendo a idéia que quando estamos cansados a Cama nos chama e nos sabe convencer que ficar com ela é a única coisa certa a se fazer naquele momento. Daí eu fui dormir com isso na cabeça e as palavras vieram enquanto meus olhos estavam fechados, prontos pra dormir. Sem dó nem piedade, peguei um caderno e uma caneta e escrevi ali no escuro da noite mesmo. Escrevendo linhas incertas do que seria, até então, meu primeiro conto publicado. Mas é claro, devo ressaltar, de nada seria esse conto se você Rô não o betasse, sua linda! Parte disso aqui é seu também.

R.N: “A Cama” é um conto de duas páginas somente, mas é perfeito no papel que veio cumprir, ele mexe com as nossas emoções do cotidiano. Um pequeno momento que reflete muito. Eu realmente o acho fantástico, mesmo assim, tem sempre aquele que acha que é fácil rabiscar palavras num papel – ou teclar letras no Word. Conta pra gente como surgiu na sua cabeça esse conto... 


J.M: Eu acho que a pergunta de cima já responde essa (risos), às vezes eu me empolgo e vou falando tudo de uma vez, sou muito tagarela. Mas vou me ater na primeira parte desta pergunta. Acho que todo escritor passa por fases. Às vezes a história sai rápido e quando você vê já saiu mais de dez páginas e outras quando fica mais exigente consigo mesmo que medita sobre cada palavra que escreveu e vai escrever a fim de encontrar a mais adequada para aquela cena. Mas escrever, no geral, é fácil, mas escrever bem já é algo que vem com o dom, leitura e prática.


R.N: Você e a Ren Deville mantém um blog, o “eucoraçãolivros”, baseado nisso vem a minha curiosidade... rsrs. Uma coisa é você estar do lado de cá, procurando parceiros, dando dicas de bons livros, fazendo entrevistas, resenhas... comentando. Na noite do lançamento correu o frio na barriga, a emoção... Como foi estar do outro lado? 


J.M: Ainda não caiu a ficha. Eu acho que não sei lidar com esse tipo de emoção, meu organismo trava e fica: É, você conseguiu. Deu um passo a frente no seu sonho. Mas eu não sei como expressar isso, é algo tão bom que não consigo exprimir adequadamente algo tão bom. É simplesmente incrível e tão real!


R.N: Esse lançamento da Andross foi um mega-evento. Muita gente prestigiando o trabalho de vocês, que é muito bonito e bem editado. Indo para o outro lado – risos – O que você acha do tipo de trabalho que a Andross faz junto aos autores? Você repetiria a dose?


J.M: Claro! Acho que o trabalho da Andross é maravilhoso porque a editora ajuda muito os novos autores. A publicação não custa uma fortuna, na verdade, eles te dão x livros para vender por um preço módico para custear a sua publicação. Aquele preço é o mínimo, você pode até aumentar um pouquinho para poder ganhar algum lucro, isso daí vai de você. Além do mais, o pessoal é super simpático, é quase como uma família. Pelo menos foi assim quando estava no evento. Foi como estar em casa ao lado de vários irmãos que moram distante. Na verdade, nós escritores – de certa forma – somos todos irmãos. Não de sangue, mas de tinta, lápis, borracha e papel.


R.N: A gente sabe que a cabeça de um autor é “terra de Malboro” – isso é uma expressão antiga... kkk – Muitas ideias, novos contos. O que a Julliana está preparando para os leitores que ela cativou logo nesse iniciozinho?


J.M: Ai, Rô! Não me faça perguntas difíceis! Para falar a verdade tenho vários projetos, alguns velhos e abandonados por tempo indeterminado e outros – e recentes – mais adultos. No geral, tenho idéias para uns 5 romances: dois de fantasia, dois de ficção científica e um sem fantasia (que é o que estou tendo mais dificuldade, pois meu corpo, mente e sangue andam pedindo por fantasia/ficção científica).


R.N: Num Brasil tão diverso, não é difícil admitir que existem várias barreiras para o autor e o leitor superarem. Todavia, eu penso que a coisa evoluiu muito da minha época de adolescente para os dias de hoje, a maior prova disso é a internet e suas múltiplas funções. O que, na sua opinião, ainda falta para se dar mais credibilidade á produção nacional, que está aí... bombando diariamente em autores espetaculares? Visão? Credibilidade? Nacionalismo? O.o  
  

J.M: Falar sobre isso é complicado porque envolve vários cenários políticos e culturais. Partindo da parte política da coisa, digamos que há uma falta de incentivo do governo a leitura e as escolas tornam a leitura em algo obrigatório, forçando as crianças a lerem. Não é assim que se deve fazer. O ser humano é movido pela sua curiosidade, então você só precisa despertar esse sentimento a respeito do livro que você quer que elas leiam, torne tudo uma brincadeira para elas, uma descoberta. Algumas pessoas têm problemas para imaginar coisas. Eu aconselharia a elas a fecharem os olhos após cada parágrafo do livro e criasse em suas mentes o significado para isso, a imagem para o que está ali. Quanto à cultura, desde que o American Way of Life (ou modo de vida americano) se inseriu aqui no nosso país, é como se vivêssemos num sub EUA. Não sei porque não mudaram nossa língua logo para o inglês, não é? É como se as pessoas esquecessem que moram aqui, que nasceram aqui. O Brasil não perdeu sua identidade cultural, ao contrário, sofre para recuperá-la, só que é como se ela não se atualizasse (veja que até quando falamos em literatura brasileira, todos usam como referência escritores mais antigos). Aqui continuamos com os índios, as bundas, a violência e o carnaval. É essa imagem que eles lá fora têm da gente e que não fazemos muita força pra mudar e, creio eu, acho que até alguns brasileiros acreditam nesse ´´Brasil``. É complicado escrever usando o Brasil como cenário para qualquer coisa diferente porque os próprios brasileiros rejeitam. Eles acham que se for aqui, ou vai ser sobre – desculpe os termos – sacanagem ou tiroteio. Fantasia no Brasil? Nem pensar. E é algo absurdo porque nós vivemos num país riquíssimo culturalmente e com climas bastante diversificados para qualquer história. O Brasil é como um resumo do resto do mundo. As pessoas aqui possuem uma mente muito fechada, muito limitada ao que podemos ter e ser. É incrível, de uma forma terrível - é claro. Se lá fora escrevem absurdos, mas entra como best-seller do NY Times, é o suficiente para que ele seja o livro que mais precisam ler na vida e eles passam a idolatrar outros países. Ninguém pensa em melhorar essa bagunça aqui que, como a própria Ren diz, foi a pátria que te pariu. Os dizeres na nossa bandeira só vão se cumprir quando as palavras de Ordem e Progresso estiverem em nossa mente. A mídia de massa até mostra os eventos culturais, mas isso não atinge a população porque ela não se importa ainda. A leitura não está incutida na mente dos brasileiros no geral. As pessoas acham livros chatos, talvez ainda não tenha encontrado algum que a agrade realmente, o que é bem triste, uma vez que na literatura não temos limites. Quando alguém me diz que não gosta de ler ou de livros, eu pergunto que tipo de filme ela gosta de ver e recomendo um livro do gênero. Porque aí a coisa fica mais fácil pra ela, porque ela encontrará no livro um universo que já a agrada. A internet tem ajudado bastante, mas ainda não é o suficiente. Ainda temos poucos leitores no Brasil infelizmente, e isso resulta em livros com uma demanda pequena e preços altos, dificultando ainda mais o acesso as obras para aqueles que gostam, mas não têm dinheiro para comprar.

                              
                              
                                      
R.N: Para encerrar, Ju, fica alguma dica para quem está começando??  Alguma dica de quem já começou a romper as barreiras e os receios da editoração de sua obra?


J.M: Nesse momento parece que todos os conselhos são iguais (risos), mas o que eu posso dizer? Não desista nunca, acredite em você e na sua obra, mas não seja arrogante o suficiente para achar que é o melhor escritor do mundo. O escritor, assim como todo ser humano, está sempre seguindo um caminho de aprendizado e aperfeiçoamento, nunca deve parar de dar o seu melhor. Leia, escreva, pesquise e não tenha medo. Não tenha medo que as pessoas critiquem você, ouça as críticas com sabedoria e saiba ponderar entre o que é bom e o que é ruim em você, não fique se menosprezando quando ouvir uma crítica negativa. Faz parte desse caminho de escritor, de ser humano e faz parte da vida. Use-a para se fortalecer, melhore onde achar que deva para não perder a personalidade da sua escrita. Lembre-se que nem Jesus, Anne Rice e J.K Rowling agradaram a todos. É impossível agradar a Gregos e Troianos, mas nada impede você de tentar cativá-los com seu jeito de ser e escrever, é claro. Sempre terão aqueles que vão te criticar e aqueles que vão te amar, o modo como você os ouve é que muda tudo. Quanto a editora, queridos, pense comigo: o máximo que vai acontecer vai ser eles te dizerem não. Isso não é o fim do mundo também. Saibam que a Rowling, assim como a Rice, foram ridicularizadas e renegadas diversas vezes antes de conseguirem sua publicação. Só posso desejar boa sorte, irmãozinhos de lápis e papel!

Não disse que ela era fofa? *-*

Obrigada pelo carinho, Ju!!!  Estou muito feliz por você!

Sucesso!

Para quem quiser saber sobre as coletâneas da Andross, aqui vai o link:


E, claro, quem quiser conhecer mais do trabalho da Jull no blog, acesse:



Até a próxima, povo!!!!

Beijoooocas










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3 comentários:

Estefânia Viturino disse...

Que entrevista linda, meninas! Adorei! Juh tem realmente muito a dizer para quem souber ouvir. Acho que se morássemos juntas eu não iria dormir nunca mais, tanto que o papo rola solto... KKKKK'

Continue com os trabalhos no blog que está show, Rôzita!

Beijos. =*

Julliana disse...

Ai, Rô! Adorei as perguntas <3 Eu sou muito tagarela, você sabe! :)

Saiba que estou muito feliz por você também! Vou chegar no seu lançamento e tietarei MUITO! *-*

Lana Darling disse...

A juuuh é mtooo queriiiidaaaa!!

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